Quando os Bons Dias se Tornam Raros

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Nada melhor para um ciclista do que um bom dia sobre a bike. Pernas boas, frequência cardíaca controlada, ótimo humor. Do jeito que tem que ser! Mas, muitas vezes, esses dias vão se tornando cada vez mais raros. Principalmente para aqueles atletas amadores extremamente disciplinados e compromissados com as planilhas…

Numa explicação simplória de fisiologia, o processo de treinamento é baseado na sequência: treino (estímulo), recuperação, supercompensação. E assim vamos criando um “maquinário” cada vez mais potente. A maioria dos atletas e treinadores usa os dados do TP para gerir os treinos: CTL, ATL, TSB e etc. O grande problema é que esses dados são baseados basicamente em 3 métricas: duração, intensidade e frequência. E só.

Em um mundo mágico, bastante distante de nós, amadores, esses dados podem até ser os únicos e principais. Mas, no mundo real, entram horas de sono, compromissos, boletos, família, filho doente, horas extras e etc… Um “TSS” real muito maior do que aquele na tela do TP.

Num primeiro momento, nosso corpo “dá um jeito”, se adapta. Trabalha relativamente bem num ambiente interno caótico. Mas esse esforço sobre-humano tem hora marcada para acabar. A resposta inicial é a queda de performance. Os dias ruins começaram. E é o início da bola de neve!

Adivinha qual é a resposta inicial dos atletas ao perceberem a queda de performance? Treinar mais! Espremer mais o dia a dia para aumentar horas, colocar mais intensidade nos treinos, tirar horas de sono, faltar compromissos familiares… Um ciclo vicioso.

Sim, você pode estar cansado demais, fadigado demais para ter um bom dia.

O corpo dá sinais claros, mas muitas vezes, mesmo percebendo esses sinais, insistimos em ignorá-los e, pior, aumentamos a carga. Frequência cardíaca de repouso aumentada, dificuldade em alcançar a intensidade nos estímulos, humor deprimido, sair para treinar — o que antes era um prazer — se torna um suplício. Os hormônios se alteram, mas… “No pain, no gain”, “Missão dada é missão cumprida!”.

No livro, isso se chama overtraining ou overreaching. Na prática, você pode estar cansado demais para ter um velho e bom dia sobre a bike.

Escrito por Dr. Thiago Carvalho Machado – médico urologista/medicina do esporte.

6 comentários em “Quando os Bons Dias se Tornam Raros”

  1. Vicente Filho

    Dr Thiago Carvalho é ídolo! Ele não perde treino mostra que mesmo sendo um profissional que trabalha duro inclusive em outras cidades longe da família é muito presente, está sempre no topo exemplo para todos nós sou fã de carteirinha!

  2. A empolgação sempre leva o ciclista a passar um pouco do ponto, e quando reiteradas vezes o corpo até absorve as porradas mas a conta sempre chega. Boa meu líder

  3. Marcellus Dornellas Alves

    Perfeito! Tão importante quanto o treino é o descanso. Saber observar os sinais do corpo e respeitar as métricas prescritas são fundamentais p a longevidade no esporte. Parabéns pela iniciativa e abração!

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